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Branding: estratégias fazem da Revista Let’s Go Bahia um sucesso editorial

O conceito de branding parte do princípio de que uma publicação, hoje em dia, qualquer que seja ela, é muito mais valiosa pela validação conceitual do que ora se escreve, se fala ou se mostra do que, exatamente, pelo viés da exclusividade ou do ineditismo daquele conteúdo.

A internet, ao passo que democratizou o acesso à informação, também a tornou banal.

O raciocínio é muito simples: antes, os canais de comunicação de massa, e com a massa, eram limitados a um leque restrito de veículos.

Assim, o simples fato de um evento, marca ou personalidade conseguir permear aquele universo já trazia àquela pauta uma visibilidade descomunal em relação a seus concorrentes.

Já o que ocorre agora é que aquele mesmo evento, marca ou personalidade têm os mesmos recursos que os grandes conglomerados de mídia quando se trata da web.

Com isto, o mundo online trouxe o seguinte questionamento às agências de publicidade e grandes anunciantes: por quê devo pagar quando eu mesmo posso fazer, e praticamente de graça?

É uma pergunta plausível. E recorrente.

BRANDING

Pensemos então pelo ponto de vista de uma publicação impressa, de circulação nichada, com conteúdos atemporais e tiragem bimensal. Diante da era da instantaneidade, como um produto ainda se mantém financeiramente com este perfil? A resposta tem duas palavras: branded content.

O que a reportagem descreve no parágrafo anterior é a Revista Let’s Go Bahia, cuja marca é considerada pelo mercado publicitário baiano uma das mais fortes e de maior prestígio do meio impresso no estado.

Prestes a completar 10 anos, a revista materializa as estratégias de branding, que é um nome bonito para um conceito básico: a agregação de valor a uma ou mais marcas através da produção de conteúdo.

Ou seja, os anunciantes procuram a revista não porque ela revelará com exclusividade um grande escândalo nacional – muito pelo contrário. As marcas se associam à Let’s Go pela força do conceito que ela representa e retrata.

ESTRATÉGIA

Colunista da Let’s Go Bahia faz promoção da revista durante viagem ao Marrocos – (Foto: Daqui de Salvador)

No caso da publicação, conteúdos sobre empreendedorismo, moda, gastronomia, saúde e comportamento com afinidade com as classes A e B, além da contribuição fixa de figuras expoentes no universo deste público.

“Uma estratégia que usamos na revista é deixar o anúncio junto a uma matéria que trata de algum assunto que tenha a ver com aquela marca, de forma que o leitor associe o cliente à pauta”, revela Verônica Villas-Bôas, publisher da revista

“Fizemos isto nesta última edição com o programa Band Mulher, por exemplo. O anúncio é antecedido por uma reportagem sobre a campanha do Outubro Rosa. Tudo a ver”, completa.

A Let’s Go Bahia é desejada, portanto, porque trata de assuntos que tangenciam os valores de seus anunciantes, somando a isso jornalistas, editores, e colunistas que também têm, em seus nomes, conceitos que reforçam esta harmonia.

NÚMEROS

Não é barato colocar uma revista para circular em uma cidade como Salvador. De acordo com a direção comercial do veículo, um único exemplar pode custar em torno de R$5 apenas na fase de impressão, o que é um valor considerável em se tratando de milhares de cópias.

Como a revista não tem uma circulação em massa, o retorno financeiro das vendas nas bancas é mínimo se comparado aos anúncios, que, de fato, mantêm a publicação.

“Não vendemos matéria de capa, não vendemos coluna, não vendemos reportagem. Nós vendemos o espaço, a visibilidade de estar aliado àquele conteúdo” – Verônica Villas Bôas, publisher da Let’s Go Bahia

Estudos na área de publicidade apontam que a capa, as páginas iniciais, do meio e finais de uma revista são as áreas mais nobres deste tipo de publicação.

Assim, um anúncio na Let’s Go pode variar entre R$3 mil e R$120 mil, dependendo da forma de publicidade.

Existem formatos como coluna vertical simples, coluna vertical dupla, formatos tradicionais como páginas inteira e dupla, e formatos especiais como cinta, folder, 3D, capas sanfonadas, dentre outros, mais caros e com cotação sob consulta.

As sócias da Let’s Go Bahia, Monique Melo, Verônica Villas-Bôas e Mariana Monteiro

As sócias da Let’s Go Bahia, Monique Melo, Verônica Villas Bôas e Mariana Monteiro – (Foto: Matheus Pastori)

 

A publisher da Let’s Go Bahia, no entanto, deixa claro que o conteúdo em si não está à venda.

“Não vendemos matéria de capa, não vendemos coluna, não vendemos reportagem. Nós vendemos o espaço, a visibilidade de estar aliado àquele conteúdo, não o que está escrito”, diz Verônica.

Outra estratégia de branding bastante utilizada, não só pela Let’s Go, é a associação da marca a artistas, personalidades e eventos considerados de interesse.

Estes conteúdos são disponibilizados no site e nas redes oficiais da revista, que, por vezes, também promove ou se torna media partner destes acontecimentos.

Por Matheus Pastori de Araujo
Estudante de Jornalismo da UNIFACS, certificado em branded content, produção e marketing de conteúdo multiplataforma pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo, é editor de Conteúdo Digital da Revista Let’s Go Bahia

Veja alguns exemplos na galeria abaixo:

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