Moda e Vestuário

Ascensão do slow fashion: a jovem mente por trás da Marca M.A.D

      Conheça Maria Antônia Dias, a baiana fashionista que tem apostado no mercado da moda consciente.

 

Maria Antônia Dias

Na contramão da produção massiva de roupas de qualidade inferior, o movimento Slow Fashion produz peças em menor quantidade e de maior durabilidade. O movimento já é uma febre no Brasil e no mundo inteiro, cada vez mais conscientizando as pessoas de que a moda consciente é hype.

Maria Antônia Dias, idealizadora da Marca M.A.D., é uma das pessoas que aderiu ao movimento e traz, com sua marca, a importância da moda consciente para a capital baiana. Aos 21 anos, a jovem está se tornando um nome promissor no mundo fashionista.

Maria começou a se interessar muito cedo pelo mundo da moda e sempre sonhou em ter sua própria marca de roupas. Desde pequena, coleciona a revista Vogue e estava sempre ativa em tudo que se relacionava a arte.

Com apenas 11 anos criou um blog de moda e nele escreveu durante 6 anos de sua vida, até se mudar para São Paulo para cursar a faculdade, que foi trancada em 2017, quando voltou para Salvador. Passou um ano tendo a ajuda e o incentivo de seu pai e madrasta para realizar seu sonho.

Para Maria o movimento Slow Fashion tem um significado que vai muito além da moda: “ele traduz a necessidade de diminuir o passo das coisas para aprendermos a apreciar o que temos aqui, agora, em vez de sempre estar com um olho no que ainda está lá no futuro. É um movimento lindo e que vem ressignificando cada vez mais a indústria fashion”, explica.

Mas para ingressar nesse mundo e criar uma marca de Slow Fashion é preciso de muita coragem e persistência. “Quando se trabalha com baixa escala de produção, não se pode exagerar na compra de obra prima e se dar o luxo de deixar sobras no ateliê”, conta.

“Por isso, toda semana vou até a loja de tecidos e escolho cada um a dedo para determinada cliente! Se torna uma rotina mais cansativa que a do Fast Fashion ou de lojas que vendem em larga escala, mas eu amo a fórmula da minha marca!”, conclui Maria.

Maria Antônia Dias em ensaio para sua marca

Quando se trata das principais diferenças entre o mercado da moda em Salvador e São Paulo, Maria ressaltou que em Salvador o mercado é bem restrito: “A gente sempre vê as mesmas pessoas usando as mesmas marcas, sempre com um movimento e uma fala que não mudam muito, e eu pessoalmente não gosto disso”.

“A cultura da moda em São Paulo é muito mais abrangente. Aqui, uma pessoa envolvida com a moda não vai usar só a marca X ou comprar só no lugar Y, nem vai fazer parte de um só discurso. Ela vai se envolver com muito além disso”, explica a diferença.

Maria também pontua que os produtores soteropolitanos até tentam sair da zona de conforto, porém acabam por não produzir na capital baiana, pois o público está muito preso ao mesmo modo de consumo.

“O que a gente mais vê em Salvador são as mesmas modelos, trabalhando para as mesmas marcas, que falam as mesmas coisas em um looping eterno”, opina.

Para a empreendedora do mercado da moda, o segredo para se ter um negócio de sucesso está em três palavras: disciplina, amor e persistência:

“Não é de primeira que você vai achar o melhor lugar para comprar tecido, não é de cara que você vai achar a melhor pessoa para costurar suas roupas. Quando algo dá errado, você não pode se dar o luxo de desistir. Sem persistência, você não vai a lugar algum”.

Maria conta que empreender tão nova tem suas dificuldades: “Eu faço faculdade de Direito e moro com meus tios, minha rotina é muito atribulada, é um desafio; tem dia que eu fico doida”, brinca.

Apesar do dia-a-dia puxado, a jovem celebra o fato de ter aprendido a lidar com tanta responsabilidade: “Me tornei uma das pessoas mais responsáveis que eu conheço; meu pai, minha madrasta e meu namorado me ajudam quando preciso, mas eu gerencio tudo da minha marca sozinha: das contas e costureira até a compra dos tecidos”.

O Mercado Slow Fashion

A moda é a representação de um conjunto de fatores culturais e sociais exibidos através da vestimenta. Esses fatores estão em constante mudança, o que faz com que a moda também esteja.

Essa constante mudança de coleção entre o que está em alta no momento, ou não, gerou um mercado conhecido como Fast Fashion, que causa um alto e veloz consumo de roupas, tornando a indústria têxtil uma das que mais consomem recursos naturais e uma das maiores exploradoras de trabalho escravo ou mal pago.

Foi a partir da crítica desses fatores que se deu início ao movimento Slow Fashion. O Slow Fashion, baseado no movimento Slow Food (que também prega um consumo mais consciente da nossa alimentação), se tornou uma filosofia de vida para quem o adere.

O novo conceito veio para substituir o “comprar por comprar” (deixando peças paradas no armário), pela compra consciente – sabendo de onde vem o produto e adquirindo peças que não serão facilmente descartadas.

Por Yara Bohana, Hanna Farias e Olga Vieira

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