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E-Sports em Salvador: A diversão que se tornou profissão

Você já ouviu falar em E-Sports? Sabe o que é? Quem pratica? Onde se reúnem? Como sobrevivem? Bom… se essas e outras perguntas também despertam o seu lado “curioso da força”, não se preocupe! As respostas são mais fáceis do que conseguir o “Farm” perfeito.

O E-Sports ou esporte eletrônico nada mais é do que um termo utilizado para competições de jogos eletrônicos divididos entre as categorias: profissional e amador. A primeira competição ocorreu com o jogo SpacerWar, em 1972, que reuniu cerca de 20 pessoas para jogar em equipes de 5.

Em 2010, a categoria cresceu com a popularização dos streamings gerando uma mudança significativa na indústria de games mundial. Segundo a agência global de marketing especializada na modalidade, a “Newzoo”, o mercado de esporte eletrônico movimentou cerca de US$ 655,3 milhões no ano de 2017, aproximadamente 2 bilhões de reais.

No cenário brasileiro, a audiência de eSports chega aos 20% e o número de fãs ultrapassou a casa dos 21 milhões em 2019, o que torna o país líder na América Latina nesse quesito.

Buscando terreno em solo baiano

A capital baiana conta com duas gamings offices e o Mercado BA foi saber um pouco mais sobre elas, desde suas respectivas competições aos planos de expansão de cada uma dentro deste mercado que acaba de “sair do forno” por aqui.

A Celestial WolvesGaming ou CWG foi fundada a cerca de dois anos e meio e é uma das mais importantes da cidade.A empresa firmou,recentemente, um contrato de quatros anos com a Arena Fonte Nova.

O mais recente projeto da equipe está previsto para ser aberto ao público ainda esse ano, com grandes empresas do estado como patrocinadores do grupo.

O projeto do novo centro de treinamento a ser inaugurado, com cerca de 1.200 metros quadrados, terá acesso gratuito a toda comunidade com o objetivo de capacitar os novos jogadores e promover a economia baiana.

Além de contar com equipamentos de última geração no universo dos games para proporcionar aos usuários a melhor experiência nos seus treinamentos.

Com apenas 22 anos, João Paulo,sócio da CWG, ressalta a importância do E-Sports para o mercado. O sócio ainda afirma que o campo dos gamers é tão sólido para o cenário atual de profissões como qualquer outro esporte.

“Como qualquer outro mercado, o mercado de esporte [eletrônico] vem crescendo bastante e quem sai na frente se destaca”, diz João ao apontar as mudanças que espaços como este trazem ao cenário do mercado de jogos eletrônicos.

Quem sai na frente se destaca

Saindo do forno: planos para aquecer a economia baiana

Outra gaming office que acabou de “dar às caras” neste setor e traz grandes planos de expansão e novidades é o centro de treinamento da equipe Nocaute.

Localizada no bairro da Pituba, a gaming fornece o espaço para treinamento, além de contar com uma loja de periféricos e um grupo de profissionais especializados para atender a clientela. A empresa também visa assessorar o cliente que visita a unidade para equipar seu próprio computador.

As equipes que tem interesses em treinar na central devem entrar em contato com a rede para verificar a disponibilidade de horários de valores que variam de R$ 400 até R$ 450 por time.

Recentemente, a equipe Nocaute participou da competição no DreamHack, um dos eventos mais importantes de competições de jogos eletrônicos,que acontece na cidade do Rio de Janeiro.

Em Salvador, eventos criados por empresas do segmento da cultura nerd e do ramo dos games vêm proporcionando campeonatos de várias categorias ao decorrer do ano.

Em contrapartida, o patrocínio oferecido por algumas grandes empresas auxiliam no fortalecimento de equipes iniciantes, com isso, a cidade já exportou jogadores para grandes times da América Latina.

“No Brasil, nós temos um dos maiores consumidores do mundo. Só que não consumimos produtos brasileiros, e sim, do exterior. Ou seja, o dinheiro sai daqui e vai para outros países. Temos um mercado gigante em que não somos atendidos ou somos mal atendidos”,explica Matheus Ché, 21, sócio da gaming office e jogador da Nocaute.

Temos um mercado gigante em que não somos atendidos ou somos mal atendidos

 

Fique por dentro: quem é o quê?

Quando se trata do ramo de esporte eletrônico é inevitável não colidir com os termos gaming office e gaming house. Mas você, meu caro leitor, sabe diferenciar as duas? Saberia me dizer quem é o quê? Ou você desistiu de entender no mesmo momento que tentava pronunciar a palavra gaming sem torna-la um novo trava-língua? Muita calma nessa hora! O Mercado BA preparou um quadro com as principais diferenças entre as duas:

Comparação de Gaming Office e Gaming House

Quadro comparativo : Principais diferenças entre os tipos de gaming.

 

A “mina de ouro”

O mercado está mudando, e isso é fato, mas quando se fala em números gerados na receita, a Bahia fica atrás de outros estados do Sul e Sudeste,onde há o maior número de investimentos.

Times de futebol visando esse novo empreendimento possuem equipes que os representam em campeonatos nacionais, como o Vitória, que em 2018 abriu inscrições para formar a sua própria equipe, o “Vitória eSports”.

No ano de 2017, por exemplo, o campeonato de CBLoL teve premiação de mais de R$ 200 mil.

Falando sobre o campo de investimentos, o sócio da CWG destaca a dificuldade que novos projetos passam para receber patrocínio de grandes empresas.

“A maioria das empresas, com exceções, não viabilizam um projeto novo . A maioria das empresas não sabem lidar com essa rapidez e acabam não aproveitando essas oportunidades”, afirma João Paulo.

Dados sobre a busca do termo eSport na internet

Dados sobre a busca do termo eSport na internet

Acompanhe, respectivamente, as entrevistas feitas com João Paulo, sócio da CWG e Matheus Ché, sócio e co-fundador da central de treinamento da Nocaute:

Equipe Celestial Wolves Gaming.

Equipe Celestial Wolves Gaming.
( Foto: CWG/Reprodução)

Anteriormente, essa área tratava-se apenas de um hobbie para você?

João Paulo: Eu acho que todo mundo que trabalha com isso começou como hobbie. Começa como próprio jogador, aí descobre que é bom em nível de competir. Os que são bons mesmo seguem com a carreira de jogador.

A partir disso, eu tentei competir. Joguei um campeonato e fiquei em 4º lugar no presencial. Vi que era bacana, só que eu não teria tempo suficiente para me dedicar e resolvi administrar uma equipe e descobri que eu preciso de tanto tempo ou mais para fazer isso, mas felizmente vem dando certo.

Você acredita que é uma profissão sólida?

João Paulo: Com certeza, assim como todas as profissões que existem no esporte.

Equipe Nocaute, no RJ competiu no DreamHack em Abril de 2019. (Foto: Nocaute/Reprodução)

Equipe Nocaute, no RJ competiu no DreamHack em Abril de 2019. (Foto: Nocaute/Reprodução)

Qual a importância de ter uma gaming office em Salvador?

Matheus Ché: Hoje existem muitos times em todo Nordeste, só que eles não têm infraestrutura, não têm um espaço mais profissional para treinarem e trabalharem.

A gaming office não se torna só importante para o time, mas também para a região de Salvador, como para todos os times. Nós fomentamos e viabilizamos o profissionalismo do eSports na Bahia.

Salvador sabe investir nesse mercado?

Mateus Ché: Existe uma grande disparidade entre o profissionalismo e o hobbie, e tem muitas pessoas que jogam por hobbie e tem muita vontade de ser profissional.

Só que a pessoa não tem esse feeling para saber como vai trilhar esse caminho, então o que falta não é pessoas, mas sim o direcionamento.

Para quem quer entrar nesse mercado e não sabe por onde começar, essas empresas especializadas em treinamento de jogadores pode viabilizar o acesso a esse meio lucrativo.

O mercado de jogos está em plena expansão no Brasil,saiba mais : http://mercadoba.com.br/2018/05/27/a-vez-dos-nerds-o-nicho-que-virou-mercado-e-veio-para-ficar/

 

Por : Maria Alice e Gabriela Ribeiro

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  1. Mauricio Silva dos Santos says:

    Texto top, infelizmente no Brasil é sempre assim. Sofremos para ver uma modalidade tão boa crescer. Parabéns a todos que fizeram e mostraram a realidade dos profissionais.

  2. Renato Oliveira. says:

    Creio que a quebra desse preconceito será uma questão de tempo, principalmente no campo comercial quando se perceber o quanto é lucrativo.

  3. Dalila Cardoso Viana says:

    Excelente matéria. Texto bem esclarecedor sobre o E-Sports. Creio que sua expansão é uma questão de tempo, cultura e investimento. Boa.

  4. Texto muito bom, explica muito bem à respeito do E-Sports, é necessário matérias como essa para que o assunto seja mais difundido e quem pratica tenha maior valorização.

  5. Edilene Teixeira says:

    Gente, é vivendo e crescendo em conhecimento, descobrindo novas idéias fora da minha “caixinha”. Mesmo que o eSport ainda esteja em crescimento no Brasil, esse gênero de competição já é bem popular.

    Parabéns a equipe da reportagem, por nos propocionar esse conhecimento.

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