Consultoria Negócios Tecnologia

Engenho Novo: como uma das maiores agências do Nordeste se adaptou à Era Digital

Laura Passos, vice-presidente do Grupo Engenho Novo, fala sobre as mudanças no modelo de negócio da agência e como a inovação pode ser um caminho novos resultados

 

Engenho Novo

Foto: Maria Beatriz

A Engenho Novo Comunicação é uma empresa consolidada há 38 anos no mercado publicitário, presente em Salvador, Recife e Brasília. A empresa integra a holding do Grupo Engenho, que abarca ainda a Plural Marketing Promocional e a Com Inteligência Digital.

À frente da Engenho Novo Comunicação está Laura Passos. Com jeito descontraído e seriedade, a vice-presidente do grupo recebe a nossa equipe na sede da Engenho, localizada no Caminho das Árvores, em Salvador.

Em meio ao constante vai e vem dos colaboradores da equipe, Laura nos conta em entrevista os principais desafios do mercado atual, entendendo os novos moldes e adaptações das agências na Era do Digital.

 

Engenho Novo

Foto: Maria Beatriz

Confira a entrevista completa com Laura Passos:

O que mudou na sua equipe com “a chegada do digital”?

Tudo. Hoje as equipes das empresas de comunicação são mais jovens, são pessoas que lidam com a criatividade e com o digital. Existem pessoas que nem entraram na faculdade.

A tradicional agência de propaganda, que a cinquenta anos era o mesmo formato de criação, atendimento, produção, mídia… isso mudou.

Hoje, por exemplo, temos aqui na Engenho Novo mais departamentos. Temos núcleos de negócios que conseguem trabalhar de forma independente e, em todo núcleo, temos profissionais digitais.

Temos um núcleo que é fortíssimo, o de redes sociais. Hoje é um dos nossos maiores e mais importantes núcleos. Profissionais trabalhado especificamente com mídia digital, que é completamente diferente de mídia off.

Temos também outro núcleo fundamental para o nosso negócio que é o B.I. (Business Intelligence), de onde parte todo o planejamento digital. São áreas completamente diferentes de áreas que tínhamos antes.

O B.I. é toda a parte de inteligência, então essa é uma equipe que faz monitoramento na internet para pegar informações, para fazer todo um planejamento, criação, mídia, daquele cliente.

Trabalhamos com ferramentas e softwares que colhem todas as informações do cliente na Internet para gerar o briefing, a estratégia e a peça publicitária.

Hoje a criação da peça publicitária não vem pela simples criação de “achar bonitinho e criativo”, tem todo um embasamento de dados por trás, de uma equipe que vai coletar informações.

  Engenho Novo     Foto: Camila Santana

Quais principais impactos ocorreram na sua empresa com o digital?

É a mudança de chave que tem que acontecer. Porque não vamos criar uma campanha para o cliente, em anúncio de outdoor, VT e banner de internet. Isso é ultrapassado.

Hoje tem que existir uma estratégia para o digital, é o que chamamos na nossa área de desdobramento da campanha para fazer uma peça digital, que não pode ser pensando como uma peça publicitária.

Por isso, aqui nós não temos o diretor de criação, nos temos um estrategista criativo. Ele vai pensar na campanha de acordo com a necessidade do cliente, de acordo com os meios que o consumidor desse cliente consome.

Como uma empresa de comunicação pode ganhar dinheiro apenas com digital?

Quando entrou o digital nós tomamos uma porrada, porque se a grande remuneração das agências vinha por parte do veículos tradicionais, aí entra um Facebook, um Google e diz: “eu não pago comissão”.

Então, eu viro para o cliente e falo que tenho que colocar em cima desse valor do Facebook, um percentual. Já é um desconforto.

O segundo problema, é que os valores do digital são muito inferiores ao do meio off e a gente precisava entender como ser remunerado. Naquela época eu era Presidente da Comissão das Empresas de Propaganda e percebemos que os Estados Unidos estava, como sempre, anos luz à nossa frente.

Lá, nas agências de propaganda, eles planejam, criam e já a entrega, quem veicula, são os birôs de mídia*.

*(empresas que intermedeia o processo de compra de mídia, comprando grandes quantidades de espaços publicitários digitais, por um preço menor, e os revende diretamente a agências e anunciantes por um preço mais alto).

Então fizemos uma excursão com os donos das principais agências de publicidade de Salvador. Visitamos oito agências nos Estados Unidos para entender como é que eles “estavam sorrindo”.

Nesse momento, percebemos que tínhamos que mudar o mercado e o mercado tinha que perceber que nós, empresas de comunicação, tínhamos que ser remuneradas pelo nosso trabalho e não pelo veículo.

Começamos a mudar os nossos contratos. Ao invés de ganhar honorários de mídia dos meus clientes, eu fecho um valor anual, que é dividido em doze meses, e eu recebo independente se ele vai fazer um milhão de mídia ou um real de mídia.

Cobramos pela estratégia que eu entrego a ele, inclusive pela mídia, porque aqui não tem birôs de mídia.

No entanto, eu não ganho nada do veículo. Aquele veículo que é obrigado por lei a pagar 20%, eu repasso esse valor em forma de desconto para o cliente.  Então, é assim que nos estamos conseguindo, devagarzinho.

E você acredita que é possível ganhar dinheiro apenas com o digital?

O cliente precisa perceber que até ele pode ir ao Google ou Facebook e comprar os espaços publicitários, mas ele precisa de um planejamento, de uma estratégia. Nós temos uma equipe especializada nisso.

Então, em 90% dos nossos contratos, somos remunerados pela entrega de estratégia de inteligência. Hoje eu conseguio ser remunerada pela mudança de contrato.

Para isso eu passei um ano investindo em equipe para mostrar meu diferencial. Porque não adianta eu vir com discurso para o cliente que eu não entrego só mídia, se eu não tiver uma equipe especializada e se eu não tiver o “ferramental”.

O cliente percebendo que eu tenho esse ferramental, que tenho equipe especializada em estratégia, planejamento, ele paga por isso.

Foto: Camila Santana 

 

“Se abrir para o mundo.”

Laura Passos, vice-presidente da Engenho Novo.

Olhando para o mercado, como você avalia os desafios para os profissionais de comunicação na Era Digital?

É se abrir para o mundo!

Para os estudantes de comunicação, o mais importante é perceber em que querem se especializar e entender que existem alguns especialistas na nossa área que estão escassos.

Existem empresas que estão desesperadas atrás desses profissionais, que, óbvio, são nas áreas do digital, mídia digital, planejamento digital. São áreas que nós temos mais necessidade e não conseguimos encontrar profissionais.

 

 

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *