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Drag Revolution! Mercado Drag ganha força em Salvador

 Com o advento de programas como “RuPaul’s Drag Race”, a capital baiana vem ganhando mais espaços para apresentações.

Drag Lola Apple para o Mercado BA

Foto da Drag Lola Apple, por Katharina Andrade.

Com a popularização da arte Drag, é possível encontrar shows todos os finais de semana em bares e casas noturnas da capital. Âncora do Marujo e Bar Caras e Bocas, ambos localizados no bairro Dois de Julho, e a boate San Sebastian, no Rio Vermelho, possuem apresentações em suas agendas.

“O público é verdadeiramente apaixonado pelas drags, porque elas se esforçam. Para uma Drag estar ali, ela teve que correr atrás, que se montar, maquiar, estudar canto, atuação, dança. O esforço e a luta delas se imprimem nas apresentações, o que faz brilhar os olhinhos do público”, comenta Ana Julieta Garcia, sócia proprietária da casa noturna San Sebastian.

Frequentador assíduo dos shows de Drag, Robert Agapito (23) conta que já estava na hora das artistas terem visibilidade no mercado do entretenimento. “É excelente ver que hoje o mercado Drag em Salvador tem muito mais a oferecer do que antes”, comenta.

Em 2015, nasceu um novo coletivo de Drags em Salvador, o Haus of Gloom. Composto por sete Drag Queens esse coletivo já fez diversas apresentações, chegando a se apresentar em Brasília.

Em Agosto de 2018 estreou um espetáculo teatral chamado “Uma janela para elas”, estrelado inteiramente por Drag Queens soteropolitanas.

“Texto bem humorado e com reflexões importantes sobre liberdade e diversidade”, relata Jorge Gauthier, para o Correio 24hrs. Esse espetáculo já teve três temporadas e foi muito bem recebido pelo público soteropolitano.

DIA A DIA

Performer soteropolitano, Aimee Lumière, 26 anos, iniciou sua carreira em 2015, e afirma ter observado um crescimento constante desse mercado artístico na cidade. Com a dificuldade de ser chamado para fazer trabalho, ele acaba realizando outras funções, como cantor e ator, além de ser formado em psicologia.

Drag queen para boate XYZ

Foto da Drag Aimee Lumière, por Matheus Thierry.

Apesar da notoriedade, o crescimento ainda deixa muito a desejar. “Cresceu bastante a cena Drag em Salvador, mas falta um espaço digno onde as Drags sejam recebidas, valorizadas como profissionais, recebam um bom pagamento e valorização do trabalho”, disse João Vilas Boas, 30 anos, soteropolitano e apaixonado pela arte Drag.

O número de artistas é crescente, mas “o espaço está cada vez mais concorrido”, explica Lola Apple, Drag Queen soteropolitana de 26 anos.

“Há dois anos existiam mais lugares. O que é ilógico, porque se a popularidade da arte Drag aumenta e mais pessoas querem consumir, os espaços não deveriam diminuir”, acrescenta Lola.

Ainda com a dificuldade de ser chamadas para realizar apresentações, as Drags acabam realizando outros tipos de trabalho. Aimee Lumière que está no mundo Drag há 4 anos, é psicólogo, cantor e ator.

Lola Apple é também dançarina, garota propaganda, diarista e babá, ou como prefere dizer: “o que aparecer, vamos fazer”.

A NOTABILIDADE

A explosão do reality show “RuPaul’s Drag Race”, pode mostrar um pouco mais sobre a arte e cultura Drag. O interesse que surgiu pelo mundo Drag após a popularização do programa foi perceptível:

“O reality show se tornou viral, as pessoas passaram a conhecer a cultura Drag mesmo sem sair de casa”, opina Robert Agapito.

“A febre das Drags é principalmente causada por conta de RuPaul’s, que popularizou muito a cena Drag. É perceptível que as pessoas estão cada vez mais dispostas a serem Drag Queens”, comenta Lola Apple.

A opinião também é compartilhada pela sócia da boate San.“Acredito que houve um crescimento sim, acho que foi gradual ao longo dos anos e junto com o hype de RuPaul’s Drag Race no Netflix.”, declara Ana Julieta.

Artistas como Gloria Groove e Pabllo Vittar também influenciaram no mercado brasileiro de Drags e abriram as portas para um caminho mais focado na música.

O CONCEITO

O conceito de Drag como uma forma de arte teve seu início na década de 30, quando bares LGBTs começaram a surgir nos Estados Unidos. Homens gays encontraram na performance Drag uma nova forma de se expressar ligado entretenimento e, assim, surgiram as Drag Queens.

As performances envolvem música, atuação, dança, comédia entre outras facetas artísticas, o que faz de Drag uma das mais completas formas de arte.

A ARTE COMO SALVAÇÃO

“Lola foi minha válvula de escape. Vinha passando por alguns problemas pessoais, e quando a gente fica mal, buscamos maneiras de nos deixar bem e Lola foi minha salvação. Mostrar minha arte de outra maneira, foi quando eu comecei a passar por cima de tudo que eu vinha passando”, conta emocionada a Drag Lola Apple.

Confira um pouco mais de Lola Apple:

Por Katharina Andrade e Maria Eduarda Jenkins.

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