Alimentação

Proa Cervejaria: cerveja artesanal com poder feminino

Com uma mulher no comando, a Proa se destaca no mercado baiano de cervejas artesanais.
Foto: Jéssica Fernandes

Débora Lehnen, proprietária e mestra cervejeira da Proa

Carrie Nation foi uma mulher norte-americana. Ela foi o ícone de um movimento radical que se opôs ao álcool durante a Lei Seca nos Estados Unidos, destruindo barris de cerveja no final do século XIX.

Por outro lado, Carrie Nation é hoje o nome de um sabor de cerveja em uma cervejaria de Lauro de Freitas, a Proa, chefiada por uma mulher.

A princípio atraída ao estado por um emprego na indústria química, a gaúcha Débora Lehnen é a mulher à frente da Proa, empreendimento surgido do investimento da empresária em uma antiga paixão que virou negócio: a cerveja.

“Quando cheguei a Salvador, vi um gap de mercado e resolvi estudar sobre isso. Fiz cursos, me preparei e enxerguei a oportunidade de transformar o hobby de fazer cerveja em um negócio na cidade”, conta a jovem.

De acordo com ela, a capital baiana foi a primeira opção de ponto para a Proa, mas as políticas municipais para a instalação de fábricas e os altos impostos acabaram levando a fábrica-bar para a região metropolitana.

“Eu escolhi Salvador, mas Salvador não me escolheu”, brinca a empreendedora, que afirma ter contado com o suporte de investimentos financeiros para obter capital para o projeto.

Com um quadro de funcionários maioritariamente feminino, o machismo não deixou de se fazer presente na história do negócio.

“Não é comum as mulheres estarem a frente de bares enquanto chefes. Então, infelizmente, as pessoas ainda visualizam um homem nessa posição”, conta Lehnen.

Durante a construção da fábrica, era comum os envolvidos na obra não acreditarem que ela estava à frente do negócio. “Eu sinto que preciso provar duas vezes o quanto é bom e que eu entendo sobre cerveja”, completa.

Em funcionamento desde junho, a cervejaria vem  aumentando seu público rapidamente, bem como fidelizando uma clientela. “O nosso público é, em sua maioria, masculino, porém bem diversificado. Muitas mulheres se sentem confortáveis aqui”, explica a empresária.

As cervejas da Proa levam o selo “girl crafted” na garrafa (feito por garota). Esse detalhe chama a atenção principalmente das clientes. “Tem meninas que ficam emocionadas, tiram foto da garrafa para postar”, conta.

Bar na fábrica

Por ser a única fábrica de cerveja artesanal do mercado baiano com um bar, a Proa se destaca e aproveita o diferencial como estratégia para divulgar seus produtos.

“Para nós, isso está servindo como uma vitrine. A gente consegue mostrar o que é a Proa, a nossa cara e a interagir melhor com os clientes”, conta Lehnen. Outra forma de divulgação é através do Instagram da cervejaria.

Foto: Jéssica Fernandes

Espaço do bar na entrada da fábrica

Eventos aproveitando o espaço também singularizam o negócio e atraem consumidores, sendo um dos fatores de crescimento do público.

“Gostamos de fazer eventos que traduzem a marca como, por exemplo, o Oktoberfest. Vamos ter o lançamento da nossa cerveja tipo alemã, uma Weissbier. Além disso, uma festa com comidas alemães, competição de chopp metro, jogos com premiações”, explica a cervejeira.

Produção Cigana

O empreendimento também trabalha com “produção cigana”: produz cervejas para outras três marcas utilizando o espaço da fábrica. Mas a empresária aposta no fortalecimento de sua marca, portanto, valoriza os sabores da Bahia na idealização da cerveja.

A Proa já oferece cervejas feitas com seriguela, jasmim e pimenta, ingredientes diferentes na bebida e que desafiam os clientes a experimentarem novos sabores de cerveja.

Foto: Jéssica Fernandes

Menu degustação com quatro sabores

Em suma, a meta é fortalecer a marca e produzir um volume de cerveja própria. Lehnen quer alcançar o objetivo de 44 mil litros por mês. Esse número trará mais lucro para a empresa, que, por enquanto, produz 8 mil litros mensalmente.

“Queremos chegar ainda mais longe”, conta confiante a empresária.

 

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  1. Nossa, incrível ver mulheres à frente de espaços que historicamente foram exclusivamente masculinos. Fiquei bastante interessado em conhecer a cervejaria! 🙂

  2. Adorei a matéria! Principalmente por mostrar uma mulher conquistando esse mercado tão dominado pelos homens.
    Estou doida para experimentar essa cerveja de siriguela.

  3. Contente em saber que as mulheres estão cada vez mais a frente dos negócios, que são marjoritariamente dos homens.
    Parabéns! Histórias como essas inspiram as mulheres.

  4. Ótima reportagem! Mto bom ver que o mercado das cervejas artesanais está chegando em Salvador e mais legal ainda ver que isso vem com uma pitada de feminismo!! 😀 A matéria ficou mto boa, abordou coisas interessantíssimas, possui fotos ótimas e dá uma baita vontade do leitor conhecer o estabelecimento; porém esqueceu de colocar onde fica 🙁 e isso é muito importante. De qualquer forma, parabéns!!

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